O primeiro aparecimento do realismo literário português deu-se depois de 1865, com o polémico encontro Questão Coimbrã e Casinos, que foi uma resposta ao carácter artificial, formal e exagerado do romantismo patologicamente sensual. Nas palavras de Teófilo Braga, “o desaparecimento do romantismo”. As novas ideias e novos gostos do pensamento contemporâneo foram apresentados pela primeira vez e responderam à depressão do romantismo. Eça de Queirós foi nomeado autor, em conjunto com Antero de Quental, apresentando este movimento ao país junto com o naturalismo, e suas principais manifestações são romances sociais, psicológicos e proporcionais.
ANTERO DE QUENTAL, o líder dos jovens poetas portugueses, respondeu ao texto de ANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO, que escreveu um pós-escrito no seu livro Poema da Mocidade, em 1865, e fez uma dura declaração à jovem geração da Universidade de Coimbra. Alusões, principalmente ao próprio Antero, TEÓFILO BRAGA e VIEIRA DE CASTRO, envolvem a disputa entre Bom Senso e Bom Gosto. O romance literário realista de EÇA DE QUEIRÓS, intitulado como "O Crime do padre Amaro", criticou a vida social portuguesa e condenou a corrupção do clero e a hipocrisia dos valores burgueses. Além de Teófilo Braga, que sempre foi fiel à filosofia positivista, os realistas evoluíram de uma crítica radical para uma visão mais humanista da arte e da literatura.
O segundo episódio ocorreu na Conferência Casino (ou Conferência Casino Democrática) em 1871. Nesta nova concretização da chamada Geração de 70, os contornos do realismo vão aparecer de forma mais clara, sobretudo através da conferência intitulada “O realismo é uma nova expressão da arte” realizada pela Eça de Queirós. Sob a influência do Cenáculo e de sua figura central, Antero de Quental, Eça fundiu Taine, determinismo social e teorias genéticas com a postura estético-social de Proudhon. Ataca o estado do alfabeto nacional e propõe uma nova arte, uma arte revolucionária, em resposta ao "zeitgeist" (zeitgeist), que é um regenerador da consciência social, retratando coisas reais como prósperas. Para Eça, só existe uma arte que efetivamente mostra a realidade, mesmo que implique entrar em um campo sujo, pode diagnosticar o meio social e curá-lo. Por isso, ele se rebelou contra a arte pela arte, com o objetivo de mostrar questões morais, contribuindo assim para o aprimoramento da natureza humana. Com este cientificismo, Eça de Queirós colocou o realismo no extremo do naturalismo.
A verdadeira implantação do realismo deu-se na publicação de O Crime do Padre Amaro. Dois anos depois, O Primo Basílio foi também obra de Eça. Os métodos de narrativa e descrição destes dois romances assentam na observação e análise detalhada da sociedade e do corpo, e o tipo psicológico, assim como fatores como meio ambiente, educação e genética, determinam as características morais do personagem. Esses romances têm semelhanças com os romances de Émile Zola e visam criticar os costumes e as reformas sociais.
O primeiro desses romances foi geralmente bem recebido pelos críticos da época. O segundo incidente causou um escândalo público. A controvérsia e a oposição entre realismo e romantismo certamente surgirão. Pinheiro Chagas atacou Eça como um antipatriota pela forma como introduziu a sociedade portuguesa. Havia até panfletos acusando realistas de deprimir o moral da família (Carlos Alberto Freire de Andrade: Escola de Realismo, este panfleto é para mães).
Ao mesmo tempo, Eça de Queiróz, proponente do realismo, perdeu seus adeptos ortodoxos com a publicação de O Mandarim. O que fez SILVA PINTO expor a teoria da escola realista e elogiar Essa em um panfleto chamado "Arte Realística". REIS DÂMASO, da Revista de Estudos Livres, vai se opor à publicação de O Mandarim, acusando Eça de trair o movimento. Estas alegações não são infundadas, pois, de facto, Eça já se destacou do realismo ortodoxo pelo seu estilo mais pessoal, onde o seu humor e fantasia se fundem num estilo único.
Desde que a Conferência de Eça implantou o movimento realista, o movimento se tornou a base de seus apoiadores, que se multiplicaram na explicação e defesa de seu credo estético. Normalmente, esse núcleo desliza para uma posição mais extrema da realidade, ou seja, o naturalismo, que se torna ortodoxo e dogmático.
Por volta de 1890, o realismo perdeu força em Portugal. Em 1893, o próprio Eça declarou que estava morto em "Notas Contemporâneas": "A observação experimental, ativa, toda baseada na pesquisa bibliográfica acabou (se não existe, a menos que seja uma existência teórica). Embora às vezes débil e/ou confuso, o realismo português apresenta-se por isso, não apenas um movimento contínuo, mas uma tendência estética, um novo Sentir, contrário ao idealismo e ao romantismo. O resultado mais importante é a introdução de influências estrangeiras em vários domínios do conhecimento em Portugal. expansão das opções literárias e renovação de um meio literário fechado.

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