MARÍLIA DE DIRCEU

A lira dedicada para a pastora idealizada reflete a trajetória do poeta Tomás António Gonzaga, em que o presídio é um divisor de águas (a segunda parte do livro está incluída no presídio). Antes da prisão, cantou em tom fiel a aventura do amor e da iluminação e da satisfação de sua amante. Ele valorizou o presente e buscou refúgio em um ambiente natural ameno (ora europeu, ora mineiro).

Depois de ser preso, cantou desgraças, injustiças (se julgava inocente e, portanto, injustiçado), destino e conforto eterno em tom de pesar e pesar, para se apaixonar por Maria. Eles consistem em uma pequena redondilha ou Descartes quebrado. Expressam um lirismo íntimo simples e belo, que se deve à naturalidade e simplicidade no manejo das emoções e nas escolhas de linguagem. 

Quando Gonzaga delegou sua postura poética a um fazendeiro que se espreitava sob sua pele por elementos civilizados, mais uma vez demonstrou sua diferença da filosofia romântica, pois seguia as regras de cópia do manual de poesia da época. Descrever e orientar os poetas a buscar para superar os tempos antigos, imitá-los e usar a poesia lírica para abordar imagens de pastores, caçadores, asseclas e cowboys.

Maria ora é morena ora é loira. Acontece que não é Maria Doroteia, a pastora, mas sim uma figura simbólica nos poemas de Tomás António Gonzaga. Considerando que esse tipo de pensamento só apareceu com o romantismo no século XIX, o sentimento de atribuir a motivação da poesia ao poeta e a Maria Dorotéia é desatualizado. É mais apropriado imitar a teoria da inspiração ideal. Ela se baseia na poesia retórica efetiva e na filosofia da poesia, que constrói a emoção poética da época, na qual o poeta segue muitas regras de fusão e "imita" a busca do poeta antigo.

Muitos pequenos especialistas em literatura podem acreditar que o poeta foi apanhado numa contradição e por vezes presumiu que o pastor cuidava das ovelhas e vivia numa cabana no topo da montanha. Agora é o juiz burguês Tomás António Gonzaga. Liam um grande número de livros na mesa espaçosa, mas o faziam analisando a poesia que estava desatualizada na época e usavam os pensamentos que surgiam do romantismo para analisar.

É interessante acompanhar alguns aspectos da obra de Gonzaga. Cada lira é um diálogo entre Dirceu e seu padre Marília, mas apesar da estrutura dialógica da obra, só Dirceu pode falar (isso é um monólogo), geralmente com voz venha chamar Maria.

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